quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Catarse

Esse blog vai ser só isso mesmo, obrigada.

Eu sou professora. Não sou pesquisadora, nem escritora, nem mais tão contista assim, e também acho temerário e arrogante num extremo bizarro chegar aqui falando que eu sou cronista, né mores? Mas catártica, ah, isso aí se eu não for eu surto, e estou num ponto da vida onde eu olho na cara do surto e já aviso: sem tempo, irmão!
A gente tá vivendo num mundo tão surreal, tão louco e cruel, que às vezes até respirar se torna uma dificuldade auto imposta. O sistema nervoso não te deixa morrer prendendo a respiração. Uma hora você inspira, no susto, e lá vamos nós, seguir vivendo por mais uma apneia Ontem eu estava tão à flor da pele que meus olhos enchiam d'água a cada 5 minutos. Mas hoje já estou de pé, chupando a bunda da preguiça e me forçando para fora da caminha, que boletos não se pagam sozinhos, e o jeito tá aí para ser dado por quem insiste. E a gente insiste sem pensar, porque se a gente pensa um pouco... a vontade é de correr para as montanhas!
Hoje é dia 60 de outubro. Não, não surtei, nem estou confundido agosto, o famoso mês interminável, com outubro, que geralmente passa tão rápido, entre o dia das crianças e o dos professores, quando a gente pisca, novembro! É dia 60 de outubro para os funcionários do município de Duque de Caxias. O mês não acaba porque o prefeito não deixa. Ele escolheu atrasar salários como política pública. Eu sou professora, e tiro dali meu sustento, assim como guardas municipais, médicas e enfermeiras, assistentes sociais, psicólogas... Enquanto a gente se endivida, a cidade está em obras. Eu quero que a população de Duque de Caxias tenha o melhor de tudo, não me entenda mal: quero que tenham seus bebês em uma maternidade de primeira, que o hospital do olho continue atendendo bem a todos, que tenha acesso a shows nas noites de sexta-feira com os melhores artistas, e principalmente, que tenha acesso à saúde, educação e segurança. Mas nada disso existe sem o funcionalismo, porque na maternidade quem vai atender são as médicas e enfermeiras que são funcionárias, assim como no hospital do olho, e os shows são organizados pelas funcionárias da secretaria de cultura, e as pessoas vão voltar pra casa em segurança por causa de guardas municipais, funcionários também. E sem escola... ah, sem escola, minha gente, quem é que cresce e se reconhece como cidadão?
No fim das contas, as estruturas tão maravilhosas construídas pela prefeitura não poderão funcionar sem esse capital humano essencial, esse tão desprezado e culpabilizado funcionários público. Se o poder executivo é o braço operacional do Estado, então o funcionalismo são suas mãos, seus dedos.

Eu sou o dedo amputado de Jack.