domingo, 8 de dezembro de 2019

Atrasos, clareza, vertigem (continua)

Domingão e nóis tá como?
Acordada desde às 5h, de pé desde às 6h, banho tomado, café também. Já até lavei roupa de cama, cê acredita? E daqui a pouco vou buscar a filha para levar para a troca de faixa do Jiu-jitsu, enquanto o pai vai levar o filho para a prova da FAETEC (que provavelmente esse fdp vai flopar, flopou todas até aqui, fds).
Dentre as várias coisas que eu queria fazer hoje, entre elas inclusive dormir e assistir programas aleatórios na Netflix ou no YouTube, eu vou poder fazer zero. Porque hoje vamos fechar um trabalho do mestrado que na verdade eu precisaria ter terminado em setembro, uma vez que é a coisa que eu já faço na sala de aula com meus alunos, sem essa parte organizada e impressa, por motivos de falta de recursos e de tempo, que é o recurso mais importante de todos. Nada do que coloquei no meu produto educacional é uma novidade absoluta para mim, exceto a forma como ele está sendo montado, porque segue parâmetros da aprendizagem significativa, que é uma teoria de aprendizagem bem bacana e também meu referencial teórico. Já li os caras e acho que eles tem bastante razão, por isso adotei. Mesmo assim, o que atrapalha meu trabalho acadêmico é a sensação que me vem, de que o que eu estou fazendo é, na melhor das hipóteses, mais do mesmo, e na pior, GRANDES MERDA!
Então eu procrastino, porque sempre fui assim. Eu sei que tem o prazo, eu sei que se eu começar logo as coisas serão mais suaves, mas... eu sou auto indulgente e me deixo levar pela ilusão de que "ainda tenho tempo". A verdade, senhoras, é que ninguém tem tempo. Todo o tempo que temos é dádiva, uma vez que não se sabe a hora que esse tempo vai acabar. Meu pai tinha 62 anos quando partiu. Minha mãe tem 74 e está aí, firme e forte - dentro dos limites da idade, claro - e não dá sinais de estar próxima do fim. Mas não se sabe.
Eu sei, racionalmente, que deveria estar andando num ritmo mais acertado com esses materiais do mestrado, mas eu não consigo fazer muitas coisas simultaneamente. Acaba que o trabalho me absorve, e filhos são prioridade total para mim, e o mestrado, embora devesse ter ganho um espaço mais valorizado na minha vida, no meu cronograma, está ali, relegado à décima posição. Até assistir Netflix vem primeiro. Claro que tem muita autossabotagem aqui, e eu sei que tudo que eu faço eu procuro fazer bem feito... tanto que, quando eu resolvo me sabotar, não tem pra ninguém! (Anita diz isso. E ela tá certíssima, por motivos de sim, com certeza e é uma fada sensata).
Dentre os motivos pelos quais eu me saboto, tem o óbvio: eu não acho que tenho algo de relevante a acrescentar ao mundo, ao pensamento sobre educação, nem no meu micro espaço de influência, que dirá ao pensamento acadêmico. No entanto, mesmo as pessoas que o fazem são redundantes. Muitas vezes a minha sensação é de que pouca coisa nova, realmente original, se pensou desde Paulo Freire. E seguimos enunciando as ideias do mestre, só que com as nossas próprias palavras. Irônico é que isso é o que mais desejaria que meus alunos fizessem, que eles produzissem seus próprios textos, usassem suas próprias palavras, assumissem seus conhecimentos como seus, por terem se apoderado deles. E nunca, nunca mesmo, a sala de aula consegue fazer isso. São eles que fazem, quando uma hora o estalo vem, igual criança pequena que aprende a ler e escrever. A sala de aula é um meio, só isso.
Aliás, o que eu estou fazendo aqui? Senhoras, eu devia estar pendurando a roupa lavada antes de ir buscar filhota.
Tchau pra vocês, outra hora a gente continua.