quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Feliz Ano Novo, ha ha ha!

Então a ideia era procurar o texto de 2020 para fazer um balanço, mas numa boa? O balanço que resta é o pouco que sobrou. Comecei o ano uma pessoa cheia de vontade, termino sentindo que já se passaram 10 anos desde 2020, mas a gente nem puxou a pajela da velha folhinha. Primeiro ano sem folhinha, 2021. Senti como se tivesse puxado tantos bloquinhos que desisti de contar o tempo. O irônico é que em todos os filmes de prisão que a gente assiste o protagonista se agarra à vida marcando o tempo nas paredes da cela. Minha casa é maior do que uma cela, e ainda assim estou confinada. Saio uma vez a cada 10, 12 dias, para buscar comida. Isso não faltou, graças ao Céu e à Terra, e ao Divino. Sinto que virei um picolé coberto de chocolate: a casca crocante e fininha promete delícias ao paladar, o centro cremoso e branco decepciona. Ainda bem que ninguém precisa me morder. 

 Da minha janela vejo a costumeira blitz da polícia militar, parando os poucos veículos que transitam em busca de ingredientes que alguém esqueceu de comprar. O hábito do cachimbo deixa a boca torta, eles fazem a cara de mau que deve ser o que ensinam na Acadepol para espanto e intimidação de ZERO pessoas. Cinquentinha e lá vai o cristão comprar a lentilha da ceia. Nem tinha lentilha no mercado ontem, o que prova que o povo está se agarrando nas velhas supertições. Lentilha para prosperidade, comer doze uvas e guardar os caroços na carteira, brindar com champagne. Vou manter somente o brinde, pq esse ano eu bebi de menos e hoje estou precisando DEMAIS! Ano cagado da PORRA, vai pro INFERNO.

Fim...   Ou não, né? 

Fiz meus exames de sangue, urina, fezes e o ecocardiograma. Tudo lindo, eu estava tão preocupada. Glicose tá ok, colesterol ok, triglicerídeos ok, ácido úrico... bem, um pouco alterado. Ainda assim, para quem esperava aumentar a chatice de engolir comprimidos em mais uns 3 por dia, ficou para a próxima, ou nem. É claro que "doutor" obeso e ofegante vai ter a PACHORRA de me mandar fazer dieta. Foda-se ele e todo mundo, eu vou comer menos, mas não vou me privar de nada. Eu nem como assim tão mal, meus legumes estão em dia, fibras e tudo mais. O que me falta é vida, e a determinação de um protagonista de filme de prisão: contar os dias e fazer musculação, putamerda, que cagada. 

A liberdade é uma instância da mente. Não são as paredes que te prendem, é a cabeça da gente a verdadeira prisão, hoje eu sei disso. A minha mente não é tão livre quanto eu gostaria, mas ela ainda pode voar. Meu corpo, no entanto, ele sente falta de sentir o Sol na pele e um vento que não seja do ventilador. Água gelada de rio e marola batendo nos pés. Céu e amplidão. Acho que as pessoas estão fazendo isso, e tem quem diga que elas não têm medo de morrer. Eu discordo. Eu não tenho medo de morrer, só não tenho pressa. Queria uma casa na beira de um riacho e passar o ano imersa nas águas de Oxum, mas não deu. Tudo bem tb, ano novo é só um outro bloco de folhinhas para puxar, e até disso eu desisti. 2016 parte 5 começa em poucas horas. 

Pelo menos a Dilma está recebendo da justiça a dignidade dela de volta, dignidade que ela nunca perdeu, por sinal. Uma rainha plenamente restabelecida, embora com bem menos alarde do que quando jogaram lama nela. Esses canalhas nem sabem o que é biografia, vão falar o que de Dilma Roussef? Descansa, militante. 

 Então é isso, minhas senhoras. Vou-me embora que hoje a trabalheira é muita. Vou começar dando banho no cachorro, depois passando pano na casa e preparando almoço, aí limpo a cozinha enquanto o Supreme assa no forno. Esse ano é só o Supreme com risoto mesmo, e olhe lá. Um espumante moscatel que estava barato na terça. Uva sem caroço e pêssegos gigantes. E a alegria do sorvete com chocotone abraçada nas minhas crias, que são sem qq dúvida o melhor de mim. Para todos que porventura encontrarem essas mal traçadas linhas, um beijo e um intento de bruxa: que seu ano novo seja tão mágico quanto o amor que você espalha pelo mundo. A gente não dura mais que um sopro, então vamos soprar direito, shall we? 

 Hidratem-se, senhoras. Beijos com muito amor.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Hipertensão e a ficha que cai

Eu achava que ia usar muito, mas muito mais, esse blog. A vida é curiosa, não é mesmo? A gente tem ideias que não prosperam, e as coisas mudam muito, e algo que foi tão importante no passado hoje nem parece parte de mim. Eu escrevo. E queria que esse blog fosse uma experiência de escrevinhação. Um diário, talvez, de sentimentos e pensamentos que crescem como mato na minha cabeça, confusa cabeça de pessoa passada. Tudo em mim é passado, e passei também. Lembrei de um documentário sobre o maravilhoso, elegante, altivo Paulinho da Viola, "Meu tempo é hoje". Pode ser que o dele seja, o meu tempo passou. Sou uma pessoa que se agarra ao presente por força do hábito, por egoísmo de ver os filhos crescerem, por amor a tudo que não seja eu mesma, e por uma teimosia arraigada na carne de dentro do coração. Fico porque teimo. Sempre fui assim. Esse ano testou minha resiliência, minha paciência, minha fé na humanidade e minha coragem em muitos graus. E fui reprovada. Vejamos: Quanto à resiliência: NUNCA MAIS SEREI A MESMA. Alguma coisa quebrou aqui dentro, e eu nem sei o que foi. As certezas que tinham se tornaram uma papa rala, nem alimentam nem sustentam. Quanto à paciência: Exausta de ter que manter a calma e não surtar. Essa distopia é muito cagada. Desculpa aí qq coisa, não dá pra ter paciência não. Eu quero tudo pra ontem, tipo Emicida no Amar/Elo. Que aliás, é obrigatório. O Emicida é essencial, esse gênio. Quanto à fé na humanidade: (tela chuviscada). Quanto à coragem: Bem, coragem é enfrentar os medos, certo? Não ando enfrentando nada ultimamente. Pago contas, apenas. De todo o resto, desvio sem vergonha, ainda que não possa esconder a humilhação. Desisti do mestrado no meio do ano, quando meu orientador foi desligado da Unigranrio, que é como os liberais chamam demissão. Aquilo me solapou, achei o fim, o cara dedicou 32 anos da vida e da carreira dele à unversidade, e eles demitem o cara com 63 anos. Porra, não podiam esperar a aposentadoria? Ele fazia coisa pra caralho naquela escola, era corpo editorial da revista, banca do conselho de ética, dava aula na graduação em um monte de campi. E é gente boníssima. Mas pra que gratidão, responsabilidade institucional, essas coisas? Dá dinheiro? Não? Então demite pra contratar alguém mais jovem e mais barato. Caralho, as pessoas têm preço. Aí veio um amigo lindo e cá estou eu, me mantendo como mestranda. Pra quê, me pergunto. E não há resposta. Perdi a aderência, não vejo valor no meu projeto, tudo mudou demais e, como dito antes, não serei JAMAIS a mesma. Nâo posso desistir dos meus filhos, nem do meu cachorro, e cuido da casa e da vida como dá. Hoje a casa está menos suja que ontem, daqui a duas horas já não sei como estará. Devido à impossibilidade de desistir dos meus filhos, somada à deterioração do meu corpo durante esse ultrasedentarismo derivado da pandemia, fui ao clínico. Minha pressão arterial assustou até ao médico (mais) obeso (do que eu) e ofegante que sentava na minha frente, saí de lá com uma receita de hidroclorotiazida e losartana potássica. E isso me levou a uma dissociação mente-corpo. Eu sentia como se estivesse comprando remédios para mamãe, só que a mamãe agora sou eu mesma. Uma mamãe velha, obesa e hipertensa, exausta, sem vontade, sedentária e triste, sempre triste. Mesmo quando espremo os lábios e levanto os cantinhos dos olhos num sorriso reafirmante aos meus filhos. Não estou esperançosa, mas não tenho medo. Eu vou morrer, é claro que vou, e ainda bem que vou, ficar não é opção pra mim, nem objetivo. Só não quero morrer agora. Vou fazer um eletro e uma radiografia do tórax amanhã. Marcarei o MAPA e o eco mais tarde, e passo no labs A+ na volta, pra buscar os frascos de coleta para os exames patológicos de rotina. Porra de velhice que se instalou. Ainda tenho que marcar o retorno, e o gineco, o cardiologista, e o que mais especialidade eu precisar para durar mais uns 20 anos. Sofia terá 29... muito nova, mas já pronta. 68 já é mais que meu pai, ele tinha 62. Tomara que eu dure até lá. Mais que isso não peço. Não teria essa audácia. 20 anos, é muito e pouco, mas nem tão pouco, e eu acho digno. Cai o pano.

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Sobre espaços virtuais e relações corrompidas

Já faz tanto tempo que eu não venho aqui que nem me lembro o tom que minha voz tinha aqui. Falo para as paredes de minha casa vazia, nessa noite como em todas as outras, e nem agora nem antes existe a expectativa de ser lida/ouvida. Falo para que as verdades reverberem em mim.
Quando eu estava fazendo terapia com a Flávia, nos idos de 2009, 2010, eu dizia que havia quase 200 escolas na rede de Caxias, e que eu podia mudar de escola conforme quisesse, era só pedir remoção, ao invés de ficar passando raiva num lugar só.
O problema é que eu sou duradoura. Eu fico nos lugares, me conecto aos alunos, às famílias, aos colegas... e vou ficando. Veja bem, meu propósito é meu bem estar emocional, mas acabo cedendo. E isso me destrói, ou pode vir a me destruir.
Esses dias estou muito sensível.

(Para. Rebobina. Já aconteceu tanta coisa em 2020... estamos no meio de uma pandemia, causada por um coronavírus, o SARS-CoV 2, a doença é chamada COVID-19. A solução é o isolamento social. Estamos isolados há 63 dias, quase 64, trabalhando remotamente na escola e no mestrado, ou seja, não trabalhando né, pq escola é uma experiência social, e o momento é antissocial).

O trabalho remoto transformou o espaço real, caloroso e caótico, mas ainda cheio de amor que é a escola onde eu trabalho hoje em um ambiente muito tóxico. Hostil a mim. Um espaço onde há imposição e não diálogo, um espaço onde só tem voz quem coordena.

Então, vamos por em ação o plano que eu tracei com a Flávia, já fazem uns bons 10 anos.

Vamos pular para a próxima estação, senhoras.

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Insone


Última terça-feira das férias.

PUTAQUEOPARIU!

Acho que é só isso mesmo.

domingo, 19 de janeiro de 2020

Resumão


Então...

Como faz tempo que não venho até aqui, vamos tentar organizar os últimos acontecimentos da semana que passou nessa postagem. Claro que pode ficar coisa de fora, mas vou tentar me ater ao que foi mais relevante.

Dia 2 eu fui no Karaokê da Bambina, falei aqui? Acho que não... logo, falemos. Eu sempre fui de cantar, já até fui cantora, mas não me refiro a mim mesma dessa forma. Canto, assim como cantava Billie - mas também, todo mundo canta, né? A minha voz soa bem e eu tenho sentimentos que coloco a serviço da canção. Isso basta. Nesse dia que eu fui no karaokê eu nem cantei, mas na semana seguinte, dia 9 (aliás, o dia da última postagem), eu fui de novo e aí sim! Fato que já viciei e quero ir toda quinta, porque o ambiente é divertido, as pessoas são legais e eu boto os demônios pra fora cantando. Aliás, isso nem é novidade, já que existe um ditado popular que diz que "quem canta, seus males espanta". E dia 16, fui de novo, com Heitor. Levei meu filho pro rolê, nunca pensei. E aprendi mais essa, tá? Cada um com seus rolês. Não me entendam mal, senhoras, eu amo esse garoto, é a luz da minha vida, mas ele precisa é dar rolê com a galerinha da idade dele. E acho que agora vai, porque né, FAETEC.

Sobre isso: ele passou para Produção de áudio e vídeo na FAETEC Adolpho Bloch, que fica na Mangueira. Na quarta fomos todos matricular o bonito, e quando digo todos, estou incluindo não só a Sofia como também o "abençoado" do pai dele. Estudos apontam que conviver amiúde com o pai das crianças me deixa mais burra. É incrível como esse macho é uma kriptonita na minha vida! Mas nem vou falar dele não, vou falar de Heitor na FAETEC. Ele chegou lá quietinho, para fazer matrícula e dar o fora, mas tinha uma fila fodida e a gente passou o dia todo lá. Sem contar que acabamos precisando de uma nova declaração de escolaridade para ele, porque precisava constar que ele concluiu o ensino fundamental (estava lá, concluiu o nono ano, logo... mas eles desconsideraram, enfim). Foi um corre, mas deu bom no final. O lance é que o tempo que Heitor passou lá, fez várias amizades. Tá bem, "amizades". Só serão provadas com o tempo, é claro, mas fez contatos e conheceu pessoas que vão estudar com ele a partir desse ano, trocaram telefones e estão mantendo contato. Acho lindo demais ver eles crescerem, e Heitor é finalmente um rapaz. Tenho muito amor por e muito orgulho do meu filho, e ele precisa construir a autonomia que o tornará um jovem adulto. Serão 3 anos de aulas em período integral, estágios, independência e responsabilidades crescentes. Isso vai transformar a maneira de ele ver o mundo, a vida, as relações humanas e o conceito de amizade. É uma honra ter contribuído, ainda que minimamente, para essa conquista, que trará tantas outras.

Compramos o material escolar da Sofia também. Vou insistir para mantermos a Sofia no MV1 até o final do ensino fundamental 1. Eduardo não tem paciência, e eu não tenho paciência com Eduardo. Saco! Ficar trocando Heitor de escola não foi legal, porque fazer o mesmo com a Sofia? Não é melhor deixar que ela conclua na escola onde passou toda essa fase inicial de sua escolarização, e deixar a mudança para o 6º ano? Eu acho, e vou argumentar a favor dessa linha. A não ser que ela consiga uma vaga por sorteio para o CAP UERJ, por mim, fica na mesma escola.

E enquanto isso, eu escrevo aqui, mas não escrevo lá. Preciso voltar a ler e redefinir meu calendário, porque eu vou defender esse mestrado até fevereiro de 2021!

Senhoras, já é domingo! Divirtam-se!





quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Cansei


Cansei mesmo. De muita coisa.

Tô irritada hoje, e esse macho só aumenta a minha irritação.
Hoje PA veio aqui, porque ele sempre vem, e na hora que ele quer, no horário que ele bem entende, e ainda acha uma gracinha eu irritada e sem paciência.
Tá ele aqui agora, no meu whatsapp, imaginando a "selvagem" que eu fico.
E me pedindo calma.
Porra, como é que a gente faz para aturar macho depois dos 45? E depois do divórcio?
E depois de 30 anos que a pessoa te conhece, qual é a graça dessa merda?

Não tenho a menor condição de continuar com esse macho. A menor.

Saco, mil vezes saco.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Calor pra caralho


O verão no Rio de Janeiro já terminou. Em dezembro, começamos aqui uma estação do ano bastante peculiar: o INFERNO. Assim mesmo, escrito em letras garrafais e sendo gritado na sua imaginação pela Carminha de Avenida Brasil. Isso, fez a imagem completa? Beleza, você me entendeu. Parece bastante razoável que pessoas alheias às novelas da Rede Globo e residentes em outras unidades desta federação desconheçam do que eu falo aqui, mas cariocas sabem que não minto.

Passei o dia lutando terrivelmente para me manter acordada, enquanto tentei ler alguns capítulos de um autor que me interessa para a dissertação. Novak, Joseph Novak. Eu gosto do tema, mas o calor rouba a minha vontade de viver, e meus olhos fecham pesadamente. Durmo, durmo mais do que estudo, apesar do calor. Que inferno. Eu preciso colocar o bendito ar condicionado na janela para conseguir me concentrar e estudar, mas o medo da conta de luz é quase maior que a necessidade.

Enquanto isso, escrevo só para não perder a vontade. Tenho muita vontade de falar, enquanto estou em casa, sozinha. Falar com as paredes, para não enlouquecer. Sinto saudade dos meus filhos. Especialmente da minha pequena, nem tão pequena assim. Eu falei com Heitor outro dia, ele me ligou, ficar em Linhares deve estar sendo difícil para eles, lá não tem muito o que fazer. Ouvi a voz dele, estava com tanta saudade, e agora temos a alegria de voltar a morar juntos integralmente. Não sinto a menor falta de ter dias nessa casa só pra mim. Ele não me incomoda, nunca me incomodou. O vazio que é a casa sem eles incomoda muito mais. A voz dele traz tudo isso para a minha cabeça e para o meu coração. Quero ouvir a vozinha dela também. A vozinha rouca de Sofia chamando mamãe no meu ouvido... que saudade imensa.

Também não sei como suporto a distância, tem sido assim todos esses anos, e eu estou viva. Sei que será assim quando ganharem o mundo e se tornarem independentes. Viverão suas vidas e pouco farão a graça de pegar o telefone e me presentear com suas vozinhas, deliciosas vozinhas de filhos que, mesmo crescidos, amam a mamãe e sentem saudade. Ainda que menos saudade, ainda que cheios de trabalho e responsabilidades, e ainda que poucas sejam essas ligações. Ser mãe deles valeu a minha vida, e todos os passos que eu dei até aqui, e aqueles que ainda darei sobre essa Terra para garantir a nossa vida, e até que o último fôlego deixe meus pulmões. Valeu cada segundo. Ser sua mãe.

Ai, como eu os amo! Voltem logo, meus amores. Mamãe já está farta de tanta saudade.


domingo, 5 de janeiro de 2020

Domingo


Domingo é dia de preguiça, de ficar de boa na lagoa, assistir TV e dormitar entre os programas, e até de dar aquela choradinha na hora que toca a música do Fantástico... mas isso em semana de trampo.

Meu domingo foi todo diferente por motivos de tô de férias. E é o pedaço das férias que estou sem as crianças, logo eu posso relaxar na segunda, se assim eu quiser, e trabalhar na sexta, virar a madrugada lendo quando tenho insônia e deixar pra dormir de dia no sábado. Acontece que hoje o domingo foi maravilhoso, e apesar da previsão do tempo dizer que ia chover, eu fui buscar a Ana e a gente foi caminhar na praia. A gente estacionou na Dias Ferreira, caminhamos até a praia e da pontinha do Leblon a gente andou até o Arpoador, e de volta. Paramos no meio do caminho para eu reaplicar o filtro solar, e tomamos água de coco e voltamos para o começo, pra pegar o carro e voltar pra casa. Passeio de 2h, mais papinho delicioso e novela, e tudo na melhor companhia do mundo!

Olha, eu queria que todo domingo fosse igual a esse.

Obrigada, gatinha linda!

sábado, 4 de janeiro de 2020

Já é 2020, besta!


Estamos aqui, dia 04/01 já, e eu não tinha escrito nem uma linha.

Eu preciso ler, estudar e escrever muito esse ano, e acho que a preguiça desses primeiros dias foi ótima, até aqui. Descansei, dormi, assisti Harry Potter (tá bem, podem me julgar, amo e adoro). Maratonei "The Witcher" e ganhei um crush violento no Cavill, coisa que a malha de Superman naquele corpo não me inspirou... aliás, o Superman não faz a minha cabeça, nem o original fazia, nem o de Smallville. Muito certinho, ele. Eu gosto é de gente de verdade. Tipo o Papa Francisco, que meteu dois tapas na mão de uma fiel abusada que deu-lhe um puxão. O cara é véio, já chegou aos 80, e está à frente de uma instituição super conservadora que ele luta pra transformar de dentro, agora esse povo tá criticando o homem por ter dado tapas na tal mulher. Esse povo nunca leu a Bíblia, mano...

Jesus, esse mesmo, JC, Filho do Homem, Nazareno, Cristo, Filho do Deus Vivo, esse cara PEGOU NUMA CHIBATA e EXPULSOU os vendilhões do templo! Vocês acham que foi como, num bate-papo informal, que a chibata na mão era só pra impor respeito? Ele meteu a porrada naqueles caras, e eles não fizeram nada pessoal com ele, só estavam se aproveitando da fé dos outros. Imagina se eles forçassem um pombinho daqueles pra Jesus comprar? De outra feita, a mulher que sangrava feito uma porca, tinha uma hemorragia, devia ser ovário policístico ou um mioma, que essas coisas sempre existiram, só não tinha ultrassom pra ver... enfim, ele sentiu a cura saindo dele e ficou pistola! Perguntou logo: "quem é que foi que pegou na orla das minhas vestes aqui, hein?" Sério que você acha que ele falou isso de boa? Mano, orla das vestes é a bainha do negócio. A mulher estava tão fraca que ficou caída no chão enquanto o cara passava, e ela tinha tanta fé que só de pegar na beirinha do vestido do JC ficou curada. Mas ele curtiu essa invasão de privacidade? Não. Só que, quando ele viu a cara da mulher, ele entendeu tudo, e terminou o serviço: "vai, minha filha, a tua fé te curou". Ainda beijou a testa dela, um fofo, cheio de ternura. Porque ele era Deus, mas também era homem, ele também sentia raiva e invasão de privacidade, e não era obrigado a gostar de tudo. Mas era sensível ao sofrimento humano, e tinha amor de sobra, amor que curava a quem tocava em bainha de veste com fé. Pensa no tamanho disso.

Eu amo a história de Jesus, do jeito que chegou até nós nas escrituras. Foi na igreja que eu aprendi a amar Jesus, mas não foi ali que eu me vinculei a esse amor. Sabe, a igreja renuncia a algumas histórias de Jesus, em prol de outras. O episódio dos vendilhões do templo, por exemplo... eu me perguntou se as pessoas ainda leem essa parte. Jesus não era comunista, mas só porque não tinha comunismo na época dele, e Marx só nasceu no século XIX. Jesus não veio aqui ensinar por palavras. Ele ensinava com sua vida, e nesse tempo que ele passou por aqui, fez muito bem, e muita justiça. Ele ensinava enquanto pescava (ou você acha que ele era bicão e se aproveitava do trabalho dos discípulos? Ou que amizades daquele tipo poderiam ser forjadas num ambiente asséptico, como um barzinho? Não, minha gente, Jesus lançava e puxava redes ombro a ombro com Pedro, Mateus e João, e as consertava também. Ele preparava comida, e fazia remendos nos cascos das embarcações, porque ele era filho do carpinteiro, e manjava dos paranauês do trabalho em madeira. Ele era gente como a gente, porque de ser Deus ele já entendia. Qual teria sido o propósito de Deus mandar ele pro mundo no ventre de uma mulher do povo? Ele precisava ver o homem pelos olhos do homem. Quer dizer, precisava não. Mas ele quis, por amor.

Mas derrubar o sistema, isso não era a função da visita dele, acho que tem haver com essa parada de livre arbítrio... Jesus plantou uma semente que germinou muito poucas vezes em terreno fértil. Muitas vezes, ela germina junto com Joio, e de acordo com a parábola do Joio e do Trigo, agora tem que esperar crescer junto para colher junto, e aí então separar. E enquanto o joio e o trigo crescem juntos, bem... joio não é chamado de erva daninha por nada, né não? Ele sufoca um monte de gérmenzinho do trigo, aqueles pequenos brotos tem pouca chance no meio do joio. As raízes do joio aprofundam bem rápido e impedem um bom enraizamento do trigo, e fica difícil de se espalhar sem espaço.

Eu fui pesquisar o joio... sabe, ele é bem parecido com o trigo, no início do crescimento. São plantas aparentadas, estão na mesma família botânica, tem o mesmo tipo de raiz e talo, só quando estão florindo é que se sabe quem é quem. Outro nome que joio tem é cizânia. Cizânia é provavelmente o nome que Jesus usava, porque significa falta de harmonia, desavença, rixa, discórdia. Estamos no meio de um campo onde florescem igualmente joio e trigo. O joio é colonizado por fungos endófitos, que produzem toxinas que tem efeitos semelhantes à embriaguez, ou seja, traz a divisão; o trigo alimenta e, quando usado para fazer pão, ele fermenta. Fermentar é crescer. Incrível como a luz da Ciência acrescenta dimensão e nuance ao ensinamento moral da parábola. Jesus era mesmo batuta nos paranauês de ensinar com a vida. Deve ser por isso que eu tenho tido vontade de voltar à magia, e a missa foi meu primeiro contato com ela. A magia da transubstanciação do pão em Corpo de Cristo. Um milagre e um dogma, mas em que eu creio com cada fibra do meu coração. Eu amo a eucaristia. E essa parte de mim será católica até o meu último suspiro (que por favor, não seja hoje. Meu coração não está lá essas coisas não).

O que me vincula ao amor de Jesus é a disponibilidade, a doação, a entrega. No capitalismo não tem esse amor, e muito menos nessa tal de teologia da prosperidade. Balela! O amor de Jesus dá a letra pro jovem rico: "você quer me seguir, meu filho? Então vai lá, vende as tuas paradas e dá aos pobres, aí você vem comigo. Tá dentro?" Não estava. E ele também diz "não pode o homem servir a dois senhores, porque vai amar um e desprezar o outro. O homem não pode servir a Deus e ao dinheiro." E quando ele pescou um peixe que tinha uma moeda dentro da barriga, e o cara foi lá perguntar se eles deveriam pagar os impostos (esses ancap são uma piada, viu? Piada! Nem existia comunismo, nem capitalismo, mas sempre teve ancap, raça ruim!). Jesus só riu, senhoras! Ele pegou a moeda e deu na mão do brother que queria saber dos impostos, e perguntou de volta: "mano, de quem é a cara nesse pedacinho de metal? É do César? Então! Dá pra ele que é dele, pra Deus você dá seu coração, que ele está mais interessado do que nisso daí." A revolução do amor só pode acontecer de forma orgânica, como o trigo que germina e a comunidade que cresce junta, dando voz a todos e sendo construída pelo esforço de todos, pelo suor da fronte de todos. Esse negócio de conquistar o sistema se infiltrando nele é coisa de quem usa a palavra para seus próprios projetos de poder. Usa uma palavra que não germinou no seu coração, que não foi aprendida pelo coração. Porque Jesus é muito antissistema. E não ligava pra grana, ele estava interessado no AMOR.

Jesus era do vrau. Lacrador. E ele foi da lacração pra cruz, porque os poderosos tem medo do povo do vrau. E ele não arregou não. Ele foi lá e morreu pelo que acreditava. Por quem ele era, mas principalmente por amor ao mundo. Por amor, senhoras.

Eu não vim aqui para falar de Jesus, nem de Francisco hoje. Eu preferia ter enveredado pela luxúria que a visão do Henry Cavill me desperta... mas parece que hoje é dia de trigo.

Bom dia, senhoras. Primeiro sábado do ano. Quem sabe o que me trará esse domingo?