segunda-feira, 18 de maio de 2020

Sobre espaços virtuais e relações corrompidas

Já faz tanto tempo que eu não venho aqui que nem me lembro o tom que minha voz tinha aqui. Falo para as paredes de minha casa vazia, nessa noite como em todas as outras, e nem agora nem antes existe a expectativa de ser lida/ouvida. Falo para que as verdades reverberem em mim.
Quando eu estava fazendo terapia com a Flávia, nos idos de 2009, 2010, eu dizia que havia quase 200 escolas na rede de Caxias, e que eu podia mudar de escola conforme quisesse, era só pedir remoção, ao invés de ficar passando raiva num lugar só.
O problema é que eu sou duradoura. Eu fico nos lugares, me conecto aos alunos, às famílias, aos colegas... e vou ficando. Veja bem, meu propósito é meu bem estar emocional, mas acabo cedendo. E isso me destrói, ou pode vir a me destruir.
Esses dias estou muito sensível.

(Para. Rebobina. Já aconteceu tanta coisa em 2020... estamos no meio de uma pandemia, causada por um coronavírus, o SARS-CoV 2, a doença é chamada COVID-19. A solução é o isolamento social. Estamos isolados há 63 dias, quase 64, trabalhando remotamente na escola e no mestrado, ou seja, não trabalhando né, pq escola é uma experiência social, e o momento é antissocial).

O trabalho remoto transformou o espaço real, caloroso e caótico, mas ainda cheio de amor que é a escola onde eu trabalho hoje em um ambiente muito tóxico. Hostil a mim. Um espaço onde há imposição e não diálogo, um espaço onde só tem voz quem coordena.

Então, vamos por em ação o plano que eu tracei com a Flávia, já fazem uns bons 10 anos.

Vamos pular para a próxima estação, senhoras.