quarta-feira, 8 de janeiro de 2020
Calor pra caralho
O verão no Rio de Janeiro já terminou. Em dezembro, começamos aqui uma estação do ano bastante peculiar: o INFERNO. Assim mesmo, escrito em letras garrafais e sendo gritado na sua imaginação pela Carminha de Avenida Brasil. Isso, fez a imagem completa? Beleza, você me entendeu. Parece bastante razoável que pessoas alheias às novelas da Rede Globo e residentes em outras unidades desta federação desconheçam do que eu falo aqui, mas cariocas sabem que não minto.
Passei o dia lutando terrivelmente para me manter acordada, enquanto tentei ler alguns capítulos de um autor que me interessa para a dissertação. Novak, Joseph Novak. Eu gosto do tema, mas o calor rouba a minha vontade de viver, e meus olhos fecham pesadamente. Durmo, durmo mais do que estudo, apesar do calor. Que inferno. Eu preciso colocar o bendito ar condicionado na janela para conseguir me concentrar e estudar, mas o medo da conta de luz é quase maior que a necessidade.
Enquanto isso, escrevo só para não perder a vontade. Tenho muita vontade de falar, enquanto estou em casa, sozinha. Falar com as paredes, para não enlouquecer. Sinto saudade dos meus filhos. Especialmente da minha pequena, nem tão pequena assim. Eu falei com Heitor outro dia, ele me ligou, ficar em Linhares deve estar sendo difícil para eles, lá não tem muito o que fazer. Ouvi a voz dele, estava com tanta saudade, e agora temos a alegria de voltar a morar juntos integralmente. Não sinto a menor falta de ter dias nessa casa só pra mim. Ele não me incomoda, nunca me incomodou. O vazio que é a casa sem eles incomoda muito mais. A voz dele traz tudo isso para a minha cabeça e para o meu coração. Quero ouvir a vozinha dela também. A vozinha rouca de Sofia chamando mamãe no meu ouvido... que saudade imensa.
Também não sei como suporto a distância, tem sido assim todos esses anos, e eu estou viva. Sei que será assim quando ganharem o mundo e se tornarem independentes. Viverão suas vidas e pouco farão a graça de pegar o telefone e me presentear com suas vozinhas, deliciosas vozinhas de filhos que, mesmo crescidos, amam a mamãe e sentem saudade. Ainda que menos saudade, ainda que cheios de trabalho e responsabilidades, e ainda que poucas sejam essas ligações. Ser mãe deles valeu a minha vida, e todos os passos que eu dei até aqui, e aqueles que ainda darei sobre essa Terra para garantir a nossa vida, e até que o último fôlego deixe meus pulmões. Valeu cada segundo. Ser sua mãe.
Ai, como eu os amo! Voltem logo, meus amores. Mamãe já está farta de tanta saudade.