sábado, 6 de fevereiro de 2021

Um mês adiante

 Hoje é dia 6 de fevereiro, e tem um mês que eu escrevi aqui da última vez. Desde então, estive envolvida em uma gama de atividades diversas, com alguns objetivos bem definidos. Eu tirei uma quantidade absurda de roupas, brinquedos, sapatos dos armários, resolvi me desfazer de livros, CD e DVD e mudei a arrumação da sala e do meu quarto. Até a velha estante de aço e a antiga papeleira da casa do vovô. Só não está sendo tão fácil fazer o Exército da Salvação vir aqui buscar tudo isso.

Outra coisa que eu fiz foi terminar os meus exames prescritos pelo cardiologista. O MAPA, o eletro e o raio X, e pra variar, tá tudo bem. O médico me passou um remédio para organizar meu ácido úrico, porque o resto está excelente. Na última sexta eu fui na ginecologista, e ela fez meu preventivo e pediu mais uns exames. De acordo com ela, que rufem os tambores: tá tudo bem, aparentemente. Ela respeitou meu direito a não fazer reposição hormonal nenhuma, e foi bem engraçado dizer pra ela que eu estou vivendo como celibatária. Logo eu, a maior piranha da cristandade... hahahahahahahahahaha

Perdi o tesão e tô com preguiça de procurar. Eu até pensei em fazer o curso da Cátia Damasceno, mas né, se tem que gastar dinheiro, tô fora. Na meia idade, o meu tesão está na minha potência, e eu sou potente pacas. Trouxe a TV pra sala e tirei aquele furdunço do meu quarto. Ganhei um espaço mais privado para mim, e ainda vou dar meus toques lá.

Logo logo, quando as doações saírem, a Sofia voltará a ocupar o quarto dela e eu voltarei a dormir sozinha. E falando em Sofia, hoje foi o exame de faixa dela na Kioto. Passamos 2020 sem ir ao dojo, e foi muito bom voltar. Eu mesma estava com muita saudade, eu gosto do ambiente e da forma como as crianças são tratadas pelos professores. E as pessoas são muito legais em geral, ainda que a gente precise tolerar uns sem noção que não respeitam distanciamento e uso correto das máscaras.

Estou falando das coisas boas porque estou muito apreensiva com essa loucura do retorno presencial em Caxias. Eu comecei a falar sobre isso e já me entristeceu. Acho que vou deixar esse assunto para outro dia, senhoras.

Fiquem bem, cuidem-se, protejam-se da segunda onda, da nova cepa, da loucura, da covardia, do genocídio.





























quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

A saga da Folhinha do Sagrado Coração

 Esse é um item que me acompanha desde que me entendo por gente. Eu nunca vivi numa casa onde não tivesse uma folhinha do Sagrado Coração de Jesus. Na casa da minha mãe tem uma imagem do Sagrado Coração sobre a porta de entrada e outra na folhinha, renovada anualmente. Um artefato de papelaria cristão, onde um bloquinho com pajelas está acoplado num cartão em tamanho ofício onde figura uma imagem de Jesus (ele mesmo, o Filho do Homem - do homem lá de cima, Deus, O Cara).

Como Jesus é uma figura muito reproduzida, temos muitas representações dele, na arte, na imagética cristã. Por que diabos nenhuma delas retrata um homem palestino, isso eu nunca entendi. Vejam bem, senhoras, todo mundo que já leu a Bíblia, especialmente quem fez catequese nos anos 70/ 80 do século XX aprendia direitinho que os lugares onde aconteceram os eventos da vida de Jesus, que são relatados nos Evangelhos, ocorreram no Oriente médio. Logo, Jesus devia ser parecido com as pessoas que moravam ali, que nasciam ali. No entanto, sai ano, entra ano, e o Jesus que vem na folhinha é loiro dos olhos azuis. Tirando um ano aí onde veio uma representação ortodoxa de Jesus (que eu achei massa e mantive por alguns anos), o resto das vezes era esse Jesus europeu.

Mesmo assim, tendo passado essa raiva todos esses anos, continuei a adquirir minha folhinha, todos os anos, inclusive comprava para todo mundo. Depois, passei a comprar só pra mim e para a Sandra (a empregada do pai dos meus filhos, alguém que eu amo e agradeço por existir). Mas esse ano, por conta da Pan, não teve folhinha... até ontem.

Minha irmã foi na rua, procurou, não achou... e comprou online, no site da editora.

Ou seja, meu plano de não contar os dias em 2021 está em processo de naufrágio.

No fundo, bem no fundo, eu tô até aliviada. Feliz 2021, senhoras.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Dia 01 (ou "o de hoje tá pago!" Hahahahahahahaha)

O sarcasmo afrontoso chegou na minha vida pra ficar. Parece que eu durmo e acordo na fronteira com o absurdo, e o último recurso no meu balaio é o sarcasmo. Mas também não é qualquer sarcasmo, é o afrontoso. Acho que eu debocho dos outros descaradamente para ver se levo uma porrada violenta no meio da cara, pra ver se eu sinto alguma coisa.

Apatia é um buraco negro na alma. Não é que eu não tenha dores, mas estou anestesiada. Acho que a vida pesou tanto esse ano que eu entrei num estado de dissociação: eu olho para as dores, como feridas no meu corpo físico, mas a minha mente está distante disso. Tipo uma pessoa em coma. Na real, a minha luz foi sugada pelo buraco negro na alma. Eu vejo as coisas acontecendo comigo, ouço o que me falam, respondo, reajo, mas estou longe. Sinto pouco -- e sinto muito por isso. Inclusive, é por isso que eu sei que estou viva: porque ainda lamento muito esse abismo que me afasta de mim.

Então, atravessamos o portal entre anos. Mudou um total de ZERO coisas. Mentira, mudou sim, a data no calendário imaginário (lembra que eu não comprei uma folhinha?). De resto, tudo igual.

Queimei cascas de cebolas na noite de ontem, para limpar as energias da casa. Hoje, soprei canela, para atrair prosperidade, abundância, fartura. Preciso cuidar do meu espírito para trazer a luz de volta, porque desse jeito tá ruim.

Enquanto isso não acontece, vamos de sarcasmo afrontoso mesmo.

2021 começou hoje, e já tivemos um dia igual a todos os outros. Esse ano nem aquela esperança calorosa que eu sempre senti nesse trânsito rolou. Fiquei na mesma. Dormi pouco, assisti a última parte de Sabrina no Netflix (aiai... meu amor) com meus filhotes e meu cachorro. Acabei com o finalzinho do espumante de ontem. Respondi às mensagens recebidas dos amigos e amigas. Sempre reagindo... que triste figura estou fazendo, chegada a 2021. Aos pedaços. Desconjuntada. Porém, ainda fazendo a minha parte para cuidar ao menos da minha saúde, para variar. Segunda-feira ligo para a clínica e marco o clínico e a gineco. Tô fazendo, e já estou melhor que ano passado. Não me torrem, senhoras.

Parafraseando Almir Sater, ando devagar porque já não sou jovem e trago esse sobrepeso porque já comi demais. 48 anos, putamerda. Tô vivendo pra contradizer aquela música do Alphaville. Não morri jovem, e não pretendo viver para sempre, e nem queria ser jovem para sempre. A vida é isso mesmo, experimentar na carne as coisas que a gente não pode passar no espírito. E quando a gente está pronto, vamos embora.

Vou dormir, senhoras, de novo, porque o de hoje está pago... 

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Feliz Ano Novo, ha ha ha!

Então a ideia era procurar o texto de 2020 para fazer um balanço, mas numa boa? O balanço que resta é o pouco que sobrou. Comecei o ano uma pessoa cheia de vontade, termino sentindo que já se passaram 10 anos desde 2020, mas a gente nem puxou a pajela da velha folhinha. Primeiro ano sem folhinha, 2021. Senti como se tivesse puxado tantos bloquinhos que desisti de contar o tempo. O irônico é que em todos os filmes de prisão que a gente assiste o protagonista se agarra à vida marcando o tempo nas paredes da cela. Minha casa é maior do que uma cela, e ainda assim estou confinada. Saio uma vez a cada 10, 12 dias, para buscar comida. Isso não faltou, graças ao Céu e à Terra, e ao Divino. Sinto que virei um picolé coberto de chocolate: a casca crocante e fininha promete delícias ao paladar, o centro cremoso e branco decepciona. Ainda bem que ninguém precisa me morder. 

 Da minha janela vejo a costumeira blitz da polícia militar, parando os poucos veículos que transitam em busca de ingredientes que alguém esqueceu de comprar. O hábito do cachimbo deixa a boca torta, eles fazem a cara de mau que deve ser o que ensinam na Acadepol para espanto e intimidação de ZERO pessoas. Cinquentinha e lá vai o cristão comprar a lentilha da ceia. Nem tinha lentilha no mercado ontem, o que prova que o povo está se agarrando nas velhas supertições. Lentilha para prosperidade, comer doze uvas e guardar os caroços na carteira, brindar com champagne. Vou manter somente o brinde, pq esse ano eu bebi de menos e hoje estou precisando DEMAIS! Ano cagado da PORRA, vai pro INFERNO.

Fim...   Ou não, né? 

Fiz meus exames de sangue, urina, fezes e o ecocardiograma. Tudo lindo, eu estava tão preocupada. Glicose tá ok, colesterol ok, triglicerídeos ok, ácido úrico... bem, um pouco alterado. Ainda assim, para quem esperava aumentar a chatice de engolir comprimidos em mais uns 3 por dia, ficou para a próxima, ou nem. É claro que "doutor" obeso e ofegante vai ter a PACHORRA de me mandar fazer dieta. Foda-se ele e todo mundo, eu vou comer menos, mas não vou me privar de nada. Eu nem como assim tão mal, meus legumes estão em dia, fibras e tudo mais. O que me falta é vida, e a determinação de um protagonista de filme de prisão: contar os dias e fazer musculação, putamerda, que cagada. 

A liberdade é uma instância da mente. Não são as paredes que te prendem, é a cabeça da gente a verdadeira prisão, hoje eu sei disso. A minha mente não é tão livre quanto eu gostaria, mas ela ainda pode voar. Meu corpo, no entanto, ele sente falta de sentir o Sol na pele e um vento que não seja do ventilador. Água gelada de rio e marola batendo nos pés. Céu e amplidão. Acho que as pessoas estão fazendo isso, e tem quem diga que elas não têm medo de morrer. Eu discordo. Eu não tenho medo de morrer, só não tenho pressa. Queria uma casa na beira de um riacho e passar o ano imersa nas águas de Oxum, mas não deu. Tudo bem tb, ano novo é só um outro bloco de folhinhas para puxar, e até disso eu desisti. 2016 parte 5 começa em poucas horas. 

Pelo menos a Dilma está recebendo da justiça a dignidade dela de volta, dignidade que ela nunca perdeu, por sinal. Uma rainha plenamente restabelecida, embora com bem menos alarde do que quando jogaram lama nela. Esses canalhas nem sabem o que é biografia, vão falar o que de Dilma Roussef? Descansa, militante. 

 Então é isso, minhas senhoras. Vou-me embora que hoje a trabalheira é muita. Vou começar dando banho no cachorro, depois passando pano na casa e preparando almoço, aí limpo a cozinha enquanto o Supreme assa no forno. Esse ano é só o Supreme com risoto mesmo, e olhe lá. Um espumante moscatel que estava barato na terça. Uva sem caroço e pêssegos gigantes. E a alegria do sorvete com chocotone abraçada nas minhas crias, que são sem qq dúvida o melhor de mim. Para todos que porventura encontrarem essas mal traçadas linhas, um beijo e um intento de bruxa: que seu ano novo seja tão mágico quanto o amor que você espalha pelo mundo. A gente não dura mais que um sopro, então vamos soprar direito, shall we? 

 Hidratem-se, senhoras. Beijos com muito amor.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Hipertensão e a ficha que cai

Eu achava que ia usar muito, mas muito mais, esse blog. A vida é curiosa, não é mesmo? A gente tem ideias que não prosperam, e as coisas mudam muito, e algo que foi tão importante no passado hoje nem parece parte de mim. Eu escrevo. E queria que esse blog fosse uma experiência de escrevinhação. Um diário, talvez, de sentimentos e pensamentos que crescem como mato na minha cabeça, confusa cabeça de pessoa passada. Tudo em mim é passado, e passei também. Lembrei de um documentário sobre o maravilhoso, elegante, altivo Paulinho da Viola, "Meu tempo é hoje". Pode ser que o dele seja, o meu tempo passou. Sou uma pessoa que se agarra ao presente por força do hábito, por egoísmo de ver os filhos crescerem, por amor a tudo que não seja eu mesma, e por uma teimosia arraigada na carne de dentro do coração. Fico porque teimo. Sempre fui assim. Esse ano testou minha resiliência, minha paciência, minha fé na humanidade e minha coragem em muitos graus. E fui reprovada. Vejamos: Quanto à resiliência: NUNCA MAIS SEREI A MESMA. Alguma coisa quebrou aqui dentro, e eu nem sei o que foi. As certezas que tinham se tornaram uma papa rala, nem alimentam nem sustentam. Quanto à paciência: Exausta de ter que manter a calma e não surtar. Essa distopia é muito cagada. Desculpa aí qq coisa, não dá pra ter paciência não. Eu quero tudo pra ontem, tipo Emicida no Amar/Elo. Que aliás, é obrigatório. O Emicida é essencial, esse gênio. Quanto à fé na humanidade: (tela chuviscada). Quanto à coragem: Bem, coragem é enfrentar os medos, certo? Não ando enfrentando nada ultimamente. Pago contas, apenas. De todo o resto, desvio sem vergonha, ainda que não possa esconder a humilhação. Desisti do mestrado no meio do ano, quando meu orientador foi desligado da Unigranrio, que é como os liberais chamam demissão. Aquilo me solapou, achei o fim, o cara dedicou 32 anos da vida e da carreira dele à unversidade, e eles demitem o cara com 63 anos. Porra, não podiam esperar a aposentadoria? Ele fazia coisa pra caralho naquela escola, era corpo editorial da revista, banca do conselho de ética, dava aula na graduação em um monte de campi. E é gente boníssima. Mas pra que gratidão, responsabilidade institucional, essas coisas? Dá dinheiro? Não? Então demite pra contratar alguém mais jovem e mais barato. Caralho, as pessoas têm preço. Aí veio um amigo lindo e cá estou eu, me mantendo como mestranda. Pra quê, me pergunto. E não há resposta. Perdi a aderência, não vejo valor no meu projeto, tudo mudou demais e, como dito antes, não serei JAMAIS a mesma. Nâo posso desistir dos meus filhos, nem do meu cachorro, e cuido da casa e da vida como dá. Hoje a casa está menos suja que ontem, daqui a duas horas já não sei como estará. Devido à impossibilidade de desistir dos meus filhos, somada à deterioração do meu corpo durante esse ultrasedentarismo derivado da pandemia, fui ao clínico. Minha pressão arterial assustou até ao médico (mais) obeso (do que eu) e ofegante que sentava na minha frente, saí de lá com uma receita de hidroclorotiazida e losartana potássica. E isso me levou a uma dissociação mente-corpo. Eu sentia como se estivesse comprando remédios para mamãe, só que a mamãe agora sou eu mesma. Uma mamãe velha, obesa e hipertensa, exausta, sem vontade, sedentária e triste, sempre triste. Mesmo quando espremo os lábios e levanto os cantinhos dos olhos num sorriso reafirmante aos meus filhos. Não estou esperançosa, mas não tenho medo. Eu vou morrer, é claro que vou, e ainda bem que vou, ficar não é opção pra mim, nem objetivo. Só não quero morrer agora. Vou fazer um eletro e uma radiografia do tórax amanhã. Marcarei o MAPA e o eco mais tarde, e passo no labs A+ na volta, pra buscar os frascos de coleta para os exames patológicos de rotina. Porra de velhice que se instalou. Ainda tenho que marcar o retorno, e o gineco, o cardiologista, e o que mais especialidade eu precisar para durar mais uns 20 anos. Sofia terá 29... muito nova, mas já pronta. 68 já é mais que meu pai, ele tinha 62. Tomara que eu dure até lá. Mais que isso não peço. Não teria essa audácia. 20 anos, é muito e pouco, mas nem tão pouco, e eu acho digno. Cai o pano.

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Sobre espaços virtuais e relações corrompidas

Já faz tanto tempo que eu não venho aqui que nem me lembro o tom que minha voz tinha aqui. Falo para as paredes de minha casa vazia, nessa noite como em todas as outras, e nem agora nem antes existe a expectativa de ser lida/ouvida. Falo para que as verdades reverberem em mim.
Quando eu estava fazendo terapia com a Flávia, nos idos de 2009, 2010, eu dizia que havia quase 200 escolas na rede de Caxias, e que eu podia mudar de escola conforme quisesse, era só pedir remoção, ao invés de ficar passando raiva num lugar só.
O problema é que eu sou duradoura. Eu fico nos lugares, me conecto aos alunos, às famílias, aos colegas... e vou ficando. Veja bem, meu propósito é meu bem estar emocional, mas acabo cedendo. E isso me destrói, ou pode vir a me destruir.
Esses dias estou muito sensível.

(Para. Rebobina. Já aconteceu tanta coisa em 2020... estamos no meio de uma pandemia, causada por um coronavírus, o SARS-CoV 2, a doença é chamada COVID-19. A solução é o isolamento social. Estamos isolados há 63 dias, quase 64, trabalhando remotamente na escola e no mestrado, ou seja, não trabalhando né, pq escola é uma experiência social, e o momento é antissocial).

O trabalho remoto transformou o espaço real, caloroso e caótico, mas ainda cheio de amor que é a escola onde eu trabalho hoje em um ambiente muito tóxico. Hostil a mim. Um espaço onde há imposição e não diálogo, um espaço onde só tem voz quem coordena.

Então, vamos por em ação o plano que eu tracei com a Flávia, já fazem uns bons 10 anos.

Vamos pular para a próxima estação, senhoras.

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Insone


Última terça-feira das férias.

PUTAQUEOPARIU!

Acho que é só isso mesmo.