Apatia é um buraco negro na alma. Não é que eu não tenha dores, mas estou anestesiada. Acho que a vida pesou tanto esse ano que eu entrei num estado de dissociação: eu olho para as dores, como feridas no meu corpo físico, mas a minha mente está distante disso. Tipo uma pessoa em coma. Na real, a minha luz foi sugada pelo buraco negro na alma. Eu vejo as coisas acontecendo comigo, ouço o que me falam, respondo, reajo, mas estou longe. Sinto pouco -- e sinto muito por isso. Inclusive, é por isso que eu sei que estou viva: porque ainda lamento muito esse abismo que me afasta de mim.
Então, atravessamos o portal entre anos. Mudou um total de ZERO coisas. Mentira, mudou sim, a data no calendário imaginário (lembra que eu não comprei uma folhinha?). De resto, tudo igual.
Queimei cascas de cebolas na noite de ontem, para limpar as energias da casa. Hoje, soprei canela, para atrair prosperidade, abundância, fartura. Preciso cuidar do meu espírito para trazer a luz de volta, porque desse jeito tá ruim.
Enquanto isso não acontece, vamos de sarcasmo afrontoso mesmo.
2021 começou hoje, e já tivemos um dia igual a todos os outros. Esse ano nem aquela esperança calorosa que eu sempre senti nesse trânsito rolou. Fiquei na mesma. Dormi pouco, assisti a última parte de Sabrina no Netflix (aiai... meu amor) com meus filhotes e meu cachorro. Acabei com o finalzinho do espumante de ontem. Respondi às mensagens recebidas dos amigos e amigas. Sempre reagindo... que triste figura estou fazendo, chegada a 2021. Aos pedaços. Desconjuntada. Porém, ainda fazendo a minha parte para cuidar ao menos da minha saúde, para variar. Segunda-feira ligo para a clínica e marco o clínico e a gineco. Tô fazendo, e já estou melhor que ano passado. Não me torrem, senhoras.
Parafraseando Almir Sater, ando devagar porque já não sou jovem e trago esse sobrepeso porque já comi demais. 48 anos, putamerda. Tô vivendo pra contradizer aquela música do Alphaville. Não morri jovem, e não pretendo viver para sempre, e nem queria ser jovem para sempre. A vida é isso mesmo, experimentar na carne as coisas que a gente não pode passar no espírito. E quando a gente está pronto, vamos embora.
Vou dormir, senhoras, de novo, porque o de hoje está pago...